quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

O paradoxo dos "rolezinhos"

Insubordinação ou adesão ao sistema?

A recente onda dos rolezinhos de jovens da periferia nos shoppings - templos de consumo da classe média - cria perplexidades, mostra aparentes contradições e deixa claro o caráter segregacionista e preconceituoso da sociedade brasileira.

O artigo Os novos "vândalos" do Brasil, da excelente jornalista Eliane Brum e a entrevista com o antropólogo Alexandre Barbosa Pereira, da Unifesp, apresentam-nos não apenas perguntas e respostas acerca desses eventos e da forma como foram reprimidos, como também algumas questões de fundo, sobre as quais é preciso que nos debrucemos.

Uma delas é o fato de que resta claro que a forma tradicional e convencional de se fazer política já não dá mais conta das demandas da nossa sociedade. O que ressalta a premente necessidade não só de uma reforma política - não meramente eleitoral, mas de incremento e valorização da participação e iniciativa popular -, mas também de renovação dos próprios quadros políticos, dado que uma grande parcela de nossos atuais "representantes" insistem ou em não compreender os novos tempos, ou, compreendendo-os, em não agir conforme as expectativas, desejos e interesses daqueles a quem pretensamente representam.

Igualmente importante é o fato de que, apesar de todos os avanços da última década, ainda somos um país com uma enorme desigualdade social. Principalmente por conta do conservadorismo e reacionarismo das elites e de uma parte da classe média que, de forma míope, segue refratária à necessidade de eliminação dessas cercas invisíveis que eternizam o apartheid social em que sempre vivemos.

Uma outra questão, nada fácil de ser enfrentada e respondida, é sobre o caráter ideológico de tudo o que vem ocorrendo nos últimos meses. E mesmo sobre se há e qual a ideologia predominante em nossa sociedade.

Há quem, à direita - embora nunca se assumam -, entenda que o que nossas elites e seus legítimos representantes sempre asseguraram é o melhor para o país. Está claro que estão errados. Ou ainda há alguém que duvide disso?

Por outro lado, será que estão certos aqueles que, à esquerda, acreditam que é mesmo desejo do país a ruptura com o sistema? Pode até ser que sim, mas... há controvérsias.

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